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Série “Aprendendo com os Salmos de romagem – cânticos dos degraus” | Clique e veja o sumário

Receber Cristo como Senhor e Salvador é uma decisão individual. Nenhuma pessoa pode tomar essa decisão por mim. Entretanto, a partir do momento da conversão o cristão se vê no meio de uma família de fé, um ajuntamento santo chamado de igreja. Os seguidores de Cristo são chamados para viver em comunhão uns com os outros.

O Salmo 133 é o cântico da koinonia no Antigo Testamento. Conforme foi ordenado na lei, o povo subia para Jerusalém para adorar o Senhor. Esses peregrinos não andavam sozinhos. Eles eram ladeados por outros peregrinos em uma santa união de fé e amor para a glória do Senhor.

Infelizmente, em nossos dias, muitos dos que se dizem cristãos procuram racionalizar o desigrejamento como se fosse possível viver a fé cristã de uma maneira solitária ou individualista. Será que é possível viver assim? Vejamos, pois, o que este salmo tem para nos ensinar.

Como é bom e agradável

Desde o começo de todas as coisas, o Senhor estabeleceu que não era bom viver sozinho (Gn 2.18). Os seres humanos foram criados para experimentar o deleite da vida comunitária. Desta forma, o povo de Deus, no afã de cumprir aquilo que fora ordenado por Deus, peregrinava para Jerusalém para adorar. Naquele momento eles percebiam que não estavam apenas no mesmo lugar, mas estavam testemunhando a unidade de coração e propósito. Era como se eles cantassem: Oh! Como é bom e agradável o propósito do Eterno! Como é bom viverem unidos os irmãos!

Como óleo e orvalho

A Bíblia expressa a união do povo de Deus de muitas formas. No Salmo 133, os peregrinos ilustravam a unidade de propósito por meio do óleo derramado sobre a cabeça do sacerdote e do orvalho que descia sobre o monte Sião. O que essas ilustrações queriam comunicar?

No caso do óleo, creio que ele indica o poder santificador de Deus habilitando os peregrinos para servir uns aos outros, de uma forma semelhante ao que acontecia com o sacerdote quando era ordenado para sua função. Os peregrinos deveriam viver em união e serviço mútuo uns para com os outros.

O orvalho aponta para as condições de frutificação. A terra molhada pelo orvalho era preparada para abundar a vida. Da mesma forma, o povo de Deus unido recebia do alto o poder para frutificar boas obras no mundo, especialmente o testemunho da unidade. Pessoas diferentes, de lugares diferentes foram juntadas debaixo da bênção do Eterno numa comunhão de fé e amor.

Para sempre

Os peregrinos sabiam que essa terra não era o fim de tudo. Eles possuíam uma visão da eternidade. Ao mesmo tempo eles podiam experimentar algum tipo de “presentificação” do céu, e isso acontecia sempre que estavam juntos e unidos para adorar o Senhor. O que eles faziam três vezes no ano era uma santa antecipação do que eles fariam por toda a eternidade. Eles sabiam que unidade não seria uma bênção momentânea, mas era algo ordenado para ser um deleite por todo o sempre.

O Salmo 133 e a igreja

Nosso Senhor Jesus Cristo reuniu doze discípulos e depois eles se juntaram em cento e vinte. Até hoje esse número não para de crescer! Pessoas de tribos, línguas e raças diferentes se unem domingo após domingo para cantarem louvores ao Senhor por meio de Jesus, por meio do poder do Espírito. Por meio do Evangelho, não apenas três vezes no ano, mas todas as semanas podemos nos reunir e dizer: Oh! Como é bom e agradável viver na família de Deus.

A vida de comunhão é boa a maravilhosa. É no meio do povo de Deus que podemos servir uns aos outros com os dons concedidos pelo Espírito Santo. Na comunhão dos santos recebemos instrução, consolo, exortação e nutrimos a esperança pelo retorno de Jesus. Não temos o direito de viver sozinhos! Somos chamados para viver em santa união (Hb 10.25).

A comunhão dos santos nessa vida não é perfeita. Brigamos, não compreendemos uns aos outros e, muitas vezes, somos negligentes com a vida comunitária. Todavia, quando formos aperfeiçoados, juntos por todo sempre experimentaremos o descanso eterno. Sendo assim, o que fazemos, domingo a domingo, é apenas uma antecipação daquilo que será a eterna, mas sem a noda do pecado.

Que bênção! Oh! Como é bom e agradável saber que um dia no encontraremos na eternidade sem as coisas que hoje nos separam! Viveremos em uma santa e bela comunhão de fé, amor e adoração! Que o Senhor encha nosso coração com a porção da alegria que podemos experimentar hoje!

Por: Francisco Macena. © Voltemos ao Evangelho. Website: voltemosaoevangelho.com. Todos os direitos reservados. Original: Uma visão da eternidade.

Francisco Macena da Costa

Francisco Macena da Costa pastoreia a Igreja Presbiteriana do Cambeba em Fortaleza, Ceará. É Mestre em Teologia Sistemática pelo Centro Presbiteriano de Pós-graduação Andrew Jumper (CPAJ) e Professor de teologia na Escola Teológica Charles Spurgeon. É casado com Danielle Costa, com quem tem 3 filhos, Sarah, Samantha e Samuel.

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